A teoria das vantagens comparativas continua válida?

Muitas críticas se fazem à teoria do comércio internacional de David Ricardo, baseada na ideia de vantagens comparativas. Dizem que ela é obtusa, inválida, ou, pior, que apenas serve como uma ferramenta ideológica dos países ricos para manter os países pobres subservientes fornecendo matéria-prima e bens do setor primário para as economias altamente tecnologicamente complexas dos países ricos.

Pois bem, ocorre que na teoria ortodoxa do comércio internacional, a lei das vantagens comparativas de Ricardo permanece o pilar essencial desse campo de pesquisa. Claro, muitas sofisticações foram adicionadas para explicar o comércio internacional, dentre as quais podemos citar:

– O modelo de Hecksher-Olhin, que diz que as vantagens comparativas dos países provêm da abundância relativa dos fatores de produção. Um país irá se especializar na produção dos bens que utilizam como insumos aqueles fatores relativamente mais abundantes no país em questão do que em outros países.

– O Teorema de Stolper-Samuelson, que, aplicado ao modelo de Hecksher-Olhin, diz que, com o comércio internacional, os fatores de produção relativamente abundantes verão seus rendimentos aumentarem, enquanto que os fatores de produção relativamente escassos verão seus rendimentos diminuírem. Esse teorema é impactante pois mostrou formalmente pela primeira vez algo que já se suspeitava há muito: nem todo mundo sai ganhando com o comércio internacional — alguns saem perdendo.

– As contribuições de Paul Krugman, que explicou grande parte do comércio internacional: o comércio intra-indústria, isto é, o comércio que ocorre entre bens de um mesmo setor.

Apesar dessas e de tantas outras sofisticações técnicas, a conclusão básica da teoria das vantagens comparativas permanece: o comércio internacional aumenta a renta total dos países que dele tomam parte, e quanto mais comércio, mais a renda aumenta.

Com o comércio internacional, alguns saem perdendo, alguns saem ganhando, mas no todo, o produto da economia aumenta. Claro, políticas públicas devem focalizar naqueles indivíduos que saem perdendo com o comércio, através de programas como retreinamento de funções de trabalho e políticas trabalhistas que diminuam as barreiras para novas contratações. O que uma política inteligente deve fazer é transferir parte da renda daqueles que saíram ganhando para aqueles que saíram perdendo: dessa forma, todos saem ganhando, e todo mundo fica feliz.

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