Indústria brasileira: o problema é a produtividade

Uma indústria que produz 20% do PIB e emprega 10% da mão-de-obra é uma indústria 2x mais produtiva que a média da economia. Um país nessa situação ganharia renda transferindo trabalhadores dos outros setores para a atividade industrial. Isso obviamente faria ela ser cada vez menos produtiva em relação ao resto, dado que o rendimento marginal do trabalho é decrescente. Cada unidade de trabalho adicionaria PIB industrial, mas menos do que a unidade anterior.

Se esse país hipotético começar a fazer a transferência de trabalhadores, a participação da indústria no PIB vai crescer, mas a participação da indústria na mão-de-obra vai crescer a uma taxa ainda maior. Chegará a um ponto em que a participação da indústria no PIB e na mão-de-obra será semelhante. Aí o país terá atingido o equilíbrio (como ocorre nos países ricos).

Comparando o Brasil com os Novos Tigres Asiáticos, vemos que nossa indústria nunca foi eficiente em relação ao resto da economia como a deles. A partir de 2011, aliás, a indústria passou a pesar mais no emprego que no produto, muito provavelmente por causa das intervenções microeconômicas desastradas do governo Dilma. Numa situação como essa, uma indústria que não consegue avançar em termos de produtividade inevitavelmente terá que encolher em participação na mão de obra – e em alguma escala, no PIB – para que se torne competitiva em termos qualitativos novamente. É o que está acontecendo conosco.

Muita gente acha que o problema da nossa indústria é capacidade ociosa ou simplesmente tamanho. Teríamos que colocar gente pra trabalhar nela e ponto, aumentar o tamanho a qualquer custo. O problema é que enquanto o setor industrial estiver com a produtividade estagnada em relação ao restante da economia, uma expansão no emprego industrial tende a diminuir o rendimento médio da mão-de-obra no setor (rendimento decrescente de escala), e portanto no país, nos empobrecendo. E para que, depois dessa brincadeira, a indústria volte a ser competitiva novamente em termos qualitativos, lá virá outra crise. Simplesmente não é sustentável.

Para que uma expansão da indústria no PIB seja benéfica, ela terá de suceder uma melhora qualitativa, ou seja, uma melhora na produtividade. Quando a nossa indústria conseguir produzir mais com a mão de obra que já emprega, valerá a pena colocar mais gente para trabalhar nela.

A única questão relevante portanto é:

Como tornar a indústria brasileira mais produtiva? Como fazer a hora trabalhada do operário industrial produzir mais em valor? Se queremos realmente uma indústria competitiva a nível internacional, deveríamos estar nos debruçando sobre isso.

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